Clube do Vinho

Seguimos com a seleção de Julho do Clube do vinho França da Clarets, assinado pelo Sommelier Manoel Beato. Ele nos brinda com esta incrível seleção de Tintos franceses de regiões diversas:

Domaine Sylvie Esmonin Gevrey-Chambertin

Produtor: Sylvie Esmonin

Safra 2014
País França
Região Borgonha
Sub-Região/Apelação Gevrey-Chambertin
Volume 750ml
Uvas Pinot Noir
Temp. de Serviço 15º – 17º
Álcool 13%

Para mim, que amo tanto a Borgonha, um dos vinhos mais queridos da região. A mais ou menos uns doze anos visitei o Domaine e pude comprovar os biodinâmicos vinhos de Sylvie Esmonin. Este é um Gevrey-Chambertin produzido no coração da Borgonha. Com um aroma colorido, de florais e frutados, o nariz é uma verdadeira caixa de lápis de cores. Tudo muito bem dosado e harmônico. Aberto, apesar de relativamente jovem, além de um mineral muito importante como deve ter um vinho nobre. Importante perceber na boca que existe um primeiro ataque arredondado, de um vinho muito bem acabado, porém no meio de boca, começa a expandir-se com complexidade terminando em um final agradabilíssimo.”

Borgonha é uma região localizada a 260km a Sudoeste de Paris. Sua maior e principal cidade é Dijon. Outra cidade muito importante é Beaune, localizada no coração da região. Borgonha tem sua história difundida junto da história dos vinhos na França, foram os monges cistercienses responsáveis por demarcarem a região, trabalho que durou séculos. As propriedades da região são geralmente muito pequenas e os vinhos são produzidos em pequenas quantidades, sendo esta região a mais cara na média de preços de vinhos em toda a França. Gevrey-Chambertin é uma comuna em Cote de Nuits, uma das principais comunas da Borgonha.
A uva principal para vinhos tintos em Borgonha é a Pinot Noir, sendo usada quase sempre como varietal, sem mistura de outras uvas. É a uva mais delicada da França, com casca muito fina, resultando em vinhos mais elegantes com menos taninos.

Sylvie Esmonin é uma das produtoras mais conceituadas na nova geração da Borgonha. Muitos especialistas dizem que ela é uma das figuras mais promissoras que surgiram nos últimos tempos, e comparam o potencial dela aos grandes produtores de Borgonha.
A história da família da região começou com Michel Esmonin, avô de Sylvie, que trabalhou para o Comte de Moucheron, proprietários na época de uma grande e única propriedade chamada Clos St. Jacques. Um dia Moucheron decidiu vender sua propriedade dividindo-a em várias porções, foi quando  Michel comprou uma destas porções de terra, que tinha vinhas e também a casa que ele passou a morar. Posteriormente o pai de Sylvie assumiu a propriedade, ajudando a desenvolver e melhorar a qualidade das videiras. Porém ele vendia as uvas, não fazia o processo de produção completo. Neste meio tempo Sylvie cursou engenharia agrônoma, e adquiriu diversos conhecimentos sobre área. Então o pai de Sylvie a convidou para voltar a morar na propriedade com ele, e ajudar nas tarefas da propriedade. Sylvie concordou em voltar porém estabeleceu a condição de que só faria isso se a produção dos vinhos até o engarrafamento fosse feito dentro da propriedade. Começou então a história de Sylvie Esmonin frente a esta propriedade que posteriormente, em 1998, passou a estar sob sua responsabilidade e ter seu nome. A propriedade compreende7,20 hectares de vinhas em Gevrey-Chambertin, incluindo o famosos Clos Saint-Jacques Premier Cru com uma parcela de 1,60 Hectares e algumas parcelas recem adicionadas em Volnay Santenots e Cote-de- Nuits- Village. Outra característica marcante desta propriedade é a utilização de barricas do famoso produtor e comerciante de Borgonha Dominique Laurent, que é referencia na região principalmente pelo uso da madeira nos vinhos, e consegue resultados excelentes. Sem dúvida Sylvie Esmonin é uma das produtoras referencias na região, que é uma das mais importantes da Borgonha e consequentemente do mundo.

Sylvie Esmonin é uma engenheira agrônoma, com enorme conhecimento técnico de solo, vinificação e todas outras etapas produtivas do vinho. Sylvie adota práticas biodinâmicas sem uso de nenhum herbicida na propriedade desde 1990, fator fundamental para a valorização das características primarias da uva. Sylvie é adepta de algumas particularidades em Borgonha, uma delas é a colheita mais tardia das uvas, mais próximas da maturidade. Isto gera rendimentos mais baixos e mais trabalho na colheita, mas ajuda nas características que Sylvie quer para os seus vinhos. Na vinificação Sylvie é adepta de usar em parte da produção caixos de uvas inteiros, recordando assim as lendárias vinificações do século XIX, incomuns nos dias de hoje. Outra característica fundamental para os vinhos ficarem nos moldes que Sylvie busca é a utilização das barricas do famoso e consagrado produtor da Borgonha Dominique Laurent, um dos mestres no uso da madeira na região. Os  vinhos são extremamente elegantes com a firmeza típica da Gevrey, mas exibem também uma elegância bastante sedosa.

Charles Joguet Chinon Clos de La Dioterie

Produtor: Charles Joguet

Safra 2012
País França
Região Loire
Sub-Região/Apelação Chinon
Volume 750ml
Uvas Cabernet Franc
Temp. de Serviço 15º – 17º
Álcool 12,5%

Um vinho produzido pelo grande maestro Charles Joguet, do Vale do Loire, na França.  Aqui nos temos o berço dos grandes vinhos produzidos com a uva Cabernet Franc. São vinhos estruturados mas não tão encorpados, porém quando bem elaborados como é o caso do Chinon, vocês perceberão a amplitude e um corpo mais importante.
Um nariz bastante aberto e cheio de frescor, temos todas as ervas, dando aquele “cheiro de chuva”, uma mistura de terra e ervas, com pitadas de pimenta, deixa-o um vinho instigante. Na boca, um toque mineral, extendendo-se a uma cintilação delicada e envolvente. Um vinho que nos faz aguçar o paladar. Leve, porém estruturado.”

Loire é uma região localizada a aproximados 200km a sudoeste de Paris. A aproximados 100km a oeste do Loire está Nantes, importante cidade francesa localizada próxima a costa do Oceano Atlantico. A denominação de Chinon (AOC desde 1937) localiza-se na sub região de Touraine e é a região onde se produz os melhores vinhos tintos da região. No Loire a uva mais importante para vinhos tintos é a Cabernet Franc, originaria do Loire que posteriormente ficou também muito conhecida em Saint Emilion, apelação de Bordeaux. A uva mais importante para vinhos brancos é a Chenin Blanc, também originaria da região do Loire. Ambas uvas são referências na França e em muitos países do novo mundo, e são originarias desta região. Especificamente na denominação de Chinon a Cabernet Franc consegue atingir os mais altos níveis de qualidade se cultivadas por bons produtores, e costumam ser usadas sozinhas na composição dos vinhos.

Domaine Charles Joguet é um dos melhores produtores de Chinon. Ele fundou sua propriedade em 1957 e foi um precursor na região enfatizando a importância de que cada parcela ser ser vinificada separadamente, como nos melhores vinhedos da Borgonha. O Conceito de terroir é primordial para este produtor, um dos melhores do mundo neste quesito. Seus terroir são compostos principalmente de dois tipos de solos, parte são arenosos com bastante argila e parte calcários. Como são diferentes recebem atenção e cuidados totalmente diferentes. Charles Joguet cultiva apenas Cabernet Sauvignon para produção de seus vinhos tintos, principal e mais importante uva da região. São produzidos de 7 ou 8 estilos de vinhos dependendo do ano de cada safra, seus vinhos mais famosos e premiados são o Clos Du Chene Vert e Clos de La Dioterie. Em Clos de La Dioterie encontramos o vinho feito das uvas provenientes dos vinhedos mais antigos deste produtor, as videiras tem em média 80 anos de idade. Este produtor é um entusiasta da Borgonha, por isso encontramos em seus vinhos sempre a ideia de expressão máxima do Terroir.  Nos dias de hoje o jovem e talentoso Kevin Fontaine supervisiona as vinhas e as adegas, ele e sua equipe mantem a tradição de Charles.

Charles Joguet usa suas videiras mais antigas para a produção de um de seus melhores ou melhor vinho, o Clos de la Dioterie. As videiras tem em torno de 80 anos, fator que ajuda na altíssima qualidade do vinho e também no bom poder de guarda, estima-se que este vinho envelheça bem por 10 ou mais anos. Grande entusiasta da Borgonha este produtor realiza sua colheita e manual, separada em cada parcela do vinhedo, e posteriormente vinifica cada parcela separadamente. Charles acredita que cada porção de terra é diferente, então merece cuidados, técnicas e tempo de vinificação diferentes, cada uma buscando atingir o máximo de seu potencial de qualidade. No final todas parcelas já vinificadas são juntadas para formar o vinho base, e posteriormente ir para as barricas de carvalho. Assim Charles acredita que consegue extrair o máximo de cada terroir. Clos de la Dioterie é o vinho com mais poder de guarda deste produtor, então é o que mais se valoriza do enorme cuidado e perfeccionismo em todas etapas da produção, este Cabernet Franc sem dúvida expressa o máximo do terroir original  da região.

Bourgogne Hautes Côtes de Nuits

Produtor: Domaine Richaud

Safra 2014/2015
País França
Região Rhone
Sub-Região/Apelação Cotes du Rhone – Cairanne
Volume 750ml
Uvas Grenache |  Mourvedre Carignan  |  Syrah
Temp. de Serviço 16º – 18º
Álcool 14,5%

Tive o prazer de visitar o Domaine Richaud por volta de doze anos atrás e percebi um produtor bastante sério. Fazendo-nos sentir em seus vinhos algo mais radical, no sentido exato da palavra, buscando a raiz. Um vinho composto de quatro uvas fantásticas do sul de Rhône. Um vinho cheio de frutas negras maduras, bastante intenso. Com um toque de chocolate e terra mas sem deixar de ter, um pouquinho de mineral contrabalanceando este lado mais denso. Muito interessante, cheio de densidade, cremosidade e untuosidade, típico da Côtes du Rhône.  Um vinho com maciez mas com muita estrutura.”

Rhone é uma região localizada a 560 km ao Sudeste de Paris. A cidade mais importante próxima é Marselha, localizada 100km ao sul já na costa da França. A região do Rhone é dividida em norte e sul, cada parte com características bem distintas. A apelação de Cotes du Rhone está na região sul, também famosa pelos Chateauneuf du Pape. Esta região possui clima mediterrâneo, característico por invernos mais amenos e verões bastante quentes. O relevo é bastante acidentado, protegendo assim os vinhedos e favorecendo para existir diversos micro-climas na região ajudando na grande diversidade de uvas bem adaptadas ao local. A principal uva do Rhone sul para vinhos tintos é a Grenache, diferente do Rhone norte que possue a Syhah como estrela principal. Os Cote du Rhone são feitos com mistura de algumas uvas tendo geralmente a Grenache como majoritária, no caso deste vinho as outras uvas utilizadas são a Mourvedre, Carignam e em pouca quantidade a Syrah. Cairanee é uma apelação de origem (AOC) localizada dentro de Cotes du Rhone.

Domaine Richaud é o principal produtor de Cairanne, apelação de origem localizada dentro de Cotes du Rhone. Este produtor é grande conhecedor desta região, cultiva entre todos os seus vinhedos mais de 10 tipos diferentes de uva, dedicando a cada uma grande atenção e cuidado para atingir a melhor qualidade possível. Sua história com vinhos começou quando ele tinha 17 anos, quando Richaud, marceneiro de formação, decidiu estudar para ser enólogo. Em 1987 ele adquiriu o vinhedo de Ebrescade, início de sua história no Rhone. A partir disto Richaud adquiriu outros vinhedos e se tornou um dos maiores especialistas em alta qualidade no Rhone sul, sendo conhecido por especialistas como Hugh Johson como o melhor produtor de Cairanne. Em todos vinhedos utiliza técnicas 100% biodinâmicas, característica marcante deste produtor desde o início de sua história na região.

Marcel Richaud é um enólogo excepcional, aficionado em todos detalhes do processo produtivo. Ele define sua vinificação como o mais natural possível, questionando a utilização de produtos ou técnicas que mudariam a característica original da safra. Seu objetivo é valorizar as características originais, mesmo que isto leve a vinhos diferentes a cada ano, ele é contra a criação de um vinho padrão, com intervenções humanas para manter o vinho com personalidade parecida em todas as safras. Sua produção é totalmente biodinâmica, e RIcheaud é o mais criterioso possível com todas as uvas que cultiva, dando atenção e cuidado para todas pois ele considera que cada uma tem que ser cuidada com peculiaridades únicas. A atenção Marcel Richaud nas vinha e na vinificação fez este produtor ser referência em termos de riqueza e frescura nos vinhos do Vale do Rhone sul, principalmente em Cairanne, onde é o melhor.

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