Clube do Vinho

Abaixo a seleção de Setembro do Clube do vinho França da Clarets, assinado pelo Sommelier Manoel Beato. Deguste esta seleção de vinhos franceses de regiões diversas:

Jean Dauvissat Chablis 2014

Produtor: Domaine Jean Dauvissat Pere & Fils

Safra 2014
País França
Região Borgonha
Sub-Região/Apelação Chablis
Volume 750ml
Uvas Chardonnay
Temp. de Serviço 8º – 10º
Álcool 12,5%

Um Chablis de personalidade marcante, bem estruturado, surpreende já no primeiro gole pela consistência da textura mais densa em relação à maior parte dos Chablis. A complexidade também é um ponto forte, nos remetendo à região de Beaune e seus grandes brancos, sem deixar de expressar o lado fresco e mineral típico de Chablis. São inúmeros os produtores da região, região de brancos com sotaque de champanhes devido ao solo e clima. Alguns poucos, como é o nosso caso aqui, exibem uma autenticidade não só referente à sua região, mas a si próprio.

Borgonha é uma região localizada a 260 km a Sudeste de Paris. Sua maior e principal cidade é Dijon. Outra cidade muito importante é Beaune, localizada no coração da região. Borgonha tem sua história difundida junto da história dos vinhos na França. Foram os monges cisctercienses os responsáveis por demarcarem a região, trabalho que durou séculos. As propriedades da região são, geralmente, muito pequenas e os vinhos são produzidos em menor escala, sendo esta região a mais cara na média de preços de vinhos em toda a França. Chablis está situada no extremo norte da região de Borgonha. Os vinhedos ao redor da cidade de Chablis fazem um vinho seco branco reconhecido pela pureza do seu aroma e sabor, outra característica marcante é o solo da região formado por fosseis de ostras, trazendo para os vinhos características minerais únicas desta região. Os Chablis apresentam menos influência do carvalho em sua vinificação em comparação com os outros vinhos brancos produzidos na Borgonha. A Apelação de Origem de Controle de Chablis requer que somente a uva Chardonnay seja usada nos vinhos ali produzidos. No clima frio de Chablis, ela produz um vinho mineral, rochoso, com grande longevidade e bastante acidez.

O domaine Jean Dauvissat Pere & Fils possui 22 hectares de vinhos espalhados entre 8 comunas em 52 parcelas diferentes. Atualmente quem é o responsável pelo Domínio é Fabien Dauvissat, filho de Jean Dauvissat , que assumiu a propriedade no ano de 2009. Fabien foi treinando em Beaune e Dijon e também aprendeu bastante com alguns dos mais famosos enólogos de Bordeaux. No início do Domínio, fundado por seu avô, vendia-se somente vinhos a granel. Foi com Fabien que o domínio começou a engarrafar seus próprios vinhos, mas somente o que ele considerava serem os melhores. Nos dias de hoje são produzidas aproximadamente 25.000 garrafas. Dauvissat acredita que um bom vinho é aquele que expressa seu terroir sem muitas intervenções e que deve-se preserva-lo, preferindo, assim, usar tratamento orgânicos e evitando ao máximo o uso de inseticidas.

Fabien Dauvissat acredita que a qualidade de um grande vinho vem das videiras enquanto o processo de vinificação faz com que esta qualidade apareça e se expresse. Dauvissat sempre tenta que a colheita seja feita na maturidade ideal (uvas saudáveis, boa concentração de açúcar com o máximo de aromas). A colheita, em sua grande parte, é feita mecanicamente e há uma atenção especial na regulagem das máquinas para que o corte seja feito perfeitamente. Após uma longa prensa e um descanso de aproximadamente 12 horas a fermentação ocorre em tanques de aço em uma temperatura de 20º por um período de 10 dias. Após envelhecimento são filtrados para a se obter um vinho claro e estável.

Clos Marie Pic Saint Loup Métairies Du Clos Vieilles Vignes 2012

Produtor: Clos Marie

Safra 2012
País França
Região Languedoc
Sub-Região/Apelação Pic Saint Loup
Volume 750ml
Uvas Grenach |Caringnan | Syrah
Temp. de Serviço 15º – 17º
Álcool 13,5%

“Clos Marie é um dos pioneiros entre os vinhos biodinâmicos de Languedoc. Não me lembro exato quando, talvez há quinze anos, estive degustando com o talentoso Christophe Peyrus na principal feira de vinhos do sul da França, a Vinisud, em Montpellier. Produtor ainda jovem, nos apresentou toda sua gama de vinhos, com frescor elegante e perfumado fino como muito poucos conseguiam atingir na região. O melhor de Pic Saint Loup, a denominação específica, e top em relação a todo sul da França.

Languedoc é uma região localizada a 750km ao sul de Paris. Sua principal cidade e capital é Montpellier. A região é responsável por mais de um terço dos vinhos produzidos na França e é a maior região produtora de vinhos do mundo. A denominação de Pic Saint Loup, AOC desde 2016, está localizada 20km ao norte de Montpellier e a 30km do mar mediterrâneo. As principais uvas plantadas em Pic Saint Loup são Syrah (38%), Grenache (28%), Cinsault (16%), Carignan (14%) e Mourvèdre (4%).

O produtor Clos Marie foi fundado no ano de 1955 na região de Languedoc. A propriedade de 20 hectares está situada ao norte de Montpellier e os vinhedos estão espalhados pelos terraços que se estendem da aldeia até os penhascos que fazem parte do planalto da montanha Hortus. Os solos são de argila e calcário, sendo todas vinhas continuamente lavradas para forçar as raízes e videiras a buscar nutrição no fundo do rochedo calcário. Desde 1991 quem está sob o comando da propriedade é o experiente Christophe Peyrus, que na época procurou conselhos com alguns dos maiores produtores de vinhos franceses (Didier Dagueneau, Clos Rougeard, Grange des Peeres, etc). O domínio é cultivado usando princípios biodinâmicos desde 2000 e nenhum pesticida ou herbicida já foi usado desde sua fundação. Para muitos especialistas Clos Marie é o melhor produtor desta região.

Este maravilhoso vinho de Languedoc é feito com um blend de uvas Syrah, Carignan e Grenache. A colheita das uvas é feita manualmente e as videiras possuem em média 60 anos de idade. A fermentação ocorre lentamente somente com a adição de leveduras nativas e depois são envelhecidos por 18 meses em barricas. Este vinho não é refinado nem filtrado.

Sarget de Gruaud-Larose

Produtor: Château Gruaud-Larose

Safra 2000
País França
Região Bordeaux
Sub-Região/Apelação Saint-Julien
Volume 750ml
Uvas Cabernet Sauvignon | Merlot | Cabernet Franc | Petit Verdot | Malbec
Temp. de Serviço 16º – 18º
Álcool 12,5%

O Gruaud Larose Chateau é um dos mais queridos entre jornalistas especializados e apreciadores. Sarget é seu segundo vinho e em anos consistentes como esse, fica à altura de muitos Chateau renomados. Um vinho classudo, com bom estofado, no meio do caminho entre potência e delicadeza. Bebê-lo já nos apraz, mas podemos guardá-lo porém, por mais cinco a dez anos e ele mostrará grandeza maior ainda.

Bordeaux é uma das mais importantes regiões produtoras de vinho da França, está localizada em torno de 500 Km a Sudoeste de Paris. Saint-Julien é a menor das apelações da sub-região do Medoc, localizada no lado esquerdo do Rio Gironde, com aproximadamente 910 hectares de vinhedos e uma produção de 450.000 caixas de vinhos por ano. Apesar do tamanho é a apelação que mais possui vinhedos classificados, atualmente, 95% deles segundo a Classificação de 1855 de Medoc. Os vinhedos de St-Julien à base de cascalho são perfeitos para a uva Carbenet Sauvignon. Enquanto as cinco principais variedades de uvas de Bordeaux são plantadas em Saint Julien, como na maioria do Medoc, Cabernet Sauvignon é a rainha, seguida da Merlot, que desempenha um importante papel nos vinhos ali produzidos. Pequenos plantios de Petit Verdot, Cabernet Franc e Malbec também podem ser encontrados.

O Chateau Gruaud Larose tem uma longa história na apelação de Saint Julien, datando do ano de 1725 quando a propriedade tinha como dono uma cavaleiro conhecido como Joseph Stanislas Gruaud. Outros dois membros da família Gruaud também tiveram grande importância no nascimento do Gruaud Larose, uma era um padre e o outro um juiz. Eles possuíam outras vinícolas em Bordeaux e acabaram por juntá-las criando uma área de 116 hectares em Bordeaux chamada Fond Bodeau. Para manter a paridade entre os irmão, os vinhos eram engarrafados separadamente, sendo o Chevalier Gruaud que pertencia ao padre e o Abbe Gruaud, produzido pelo juiz. Em 1778, com o falecimento do padre Chevalier de Gruaud, a propriedade passou a ser administrada pelo seu genro Joseph Sebastian La Rose. La Rose adicionou seu nome ao Chateau, passando a ser Gruaud Larose. Atolada em dívidas, a família foi forçada a vender a propriedade em 1812 para Pierre Balgueire, Jean Auguste Sarget e David Verdonnet. Este último faleceu alguns anos após adquirir a propriedade e a sua parte foi dividida entre os dois sócios remanescentes.
Pouco tempo após a classificação de Medoc de 1855, a propriedade foi novamente divida em 1867, uma parte ficando com Baron Sarget e outra aos descendentes da família Bethmann. Até o século 20 a propriedade continuou dividida, situação que mudou somente quando a família Cordier comprou o Chateau Larose, a parte de Sarget foi comprada em 1917 e em 1935 a porção da família Bathmann, permitindo, assim, a família Cordier voltar à condição original do Chateau.

O Sarget de Gruaud Larose é o segundo vinho do Chateau Gruaud Larose, ambos são produzido com uvas provenientes do mesmo vinhedo porém o segundo vinho usa as uvas mais jovens. No ano de 2000 foi utilizado um blend de 57% Carbernet Sauvignon, 31% Merlot, 7,5% Cabernet Franc e 3% Petit Verdot e 1,5% Malbec. A colheita é feita manualmente, e então, as uvas são colocadas em um tanque para serem separadas de acordo com sua variedade, terroir e idade. Para a produção deste segundo vinho são utilizados 60% de tanques de cimento e 40% de tanques de madeira para a vinificação, em uma temperatura controlada que varia entre 31º e 33º e com testes diários de cada tanque. A fermentação malolática se dá em tonéis em um ambiente com temperatura controlada. O envelhecimento ocorre em barris de carvalho francês, sendo 10% novos e o restante com 2 a 3 anos de uso. A safra de 2000 foi considerada espetacular em Bordeaux, uma das melhores das últimas décadas, devido a isto este vinho tem ótimo potencial de guarda e ainda continuará evoluindo bem por anos ou décadas. A safra de 2000 é tão longeva que este vinho chega a ter mais potencial de envelhecimento do que outros anos do primeiro vinho do Gruaud Larose.

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