Clube do Vinho

Seguimos com a seleção de Outubro do Clube do vinho França da Clarets, assinado pelo Sommelier Manoel Beato. Aprecie esta seleção de vinhos franceses de regiões diversas:

Domaine Ostertag Clos Mathis 2014

Produtor: Domaine Ostertag

Safra 2014
País França
Região Alsacia
Sub-Região/Apelação Alsacia
Volume 750ml
Uvas Riesling
Temp. de Serviço 8º – 10º
Álcool 13%

Não há dúvidas de que uva Riesling possui um potencial para produzir vinhos do mais alto nível de qualidade. Se tais Rieslings são originários da Alsace, divisa alemã com a França, aumenta a expectativa de que esse vinho seja excelente. Se além disso o produtor for conhecido pelo nome de Ostertag, como é o caso, podemos crer que teremos um branco do mais elevado grau de qualidade. Me lembro de uma matéria antiga que li, que falava da amizade de André Ostertag com um dos grandes mestres dos brancos da Bourgogne, Dominique Lafon, e a troca de experiência entre eles no que dizia respeito à fazer vinhos. Entre outras coisas, Lafon, que tinha na época seus vinhos marcantemente amadeirados, passava muito do seu conhecimento à André. Hoje, ambos mudaram muito, buscando vinhos cada vez mais frescos e menos marcados. Lafon quando esteve no Brasil disse que no começo era muito heavy metal, e com o passar dos anos o foco passa ser a delicadeza. Ostertag segue prezando cada vez mais a pureza e a mineralidade.

Alsácia é uma região localizada a 380 Km de Paris. Sua maior e principal cidade é Estrasburgo. A Alsácia está situada entre as margens do Rio Reno de um lado, o qual delimita a fronteira entre França e Alemanha e de outro lado, a cordilheira de Vosges, região marcada por diversas guerras e conflitos, tendo por diversas vezes, sendo considerada ora território alemão ora território francês. Atualmente a Alsácia é segunda província mais rica da França, ficando atrás somente da província Ilê-de-France. Apesar dos longos conflitos nessa região, o vinho ali produzido sempre se destacou. A região vitivinícola se divide em duas, Alto Reno e Baixo Reno. Os nomes contradizem a lógica, uma vez que o Alto Reno está localizado no Norte e o Baixo Reno no Sul, a diferença é a altitude na qual estão situados. Aproximadamente 90% da produção de vinhos da região são de vinhos brancos. As principais uvas cultivadas na região e tidas como as melhores do mundo, são a Riesling e a Gewuztraminer, as quais representam aproximadamente 40% de todas uvas cultivadas. Outras uvas importantes produzidas são: Pinot Blanc, Pinot Gris, e Pinot Noir. Os vinhos brancos da Alsácia são reconhecidos pela sua grande fineza e equilíbrio.

André Ostertag é o atual responsável pelo domínio. Foi em 1980 que André tomou as rédeas da propriedade familiar criada por seu pai em 1966. Ele é um pioneiro, um revolucionário certamente, mas também é um ardente ambientalista, como demonstrado em seus vinhos e em suas esculturas. Depois de treinar na Borgonha, André, aos 21 anos, voltou para o domínio familiar na Alsácia e tomou diversas atitudes: ele reduziu consideravelmente os rendimentos e introduziu técnicas de viticultura e vinificação de outras regiões para sua própria terra natal. O ano de 1996 marcou sua primeira colaboração com a KLWM e no ano seguinte, trouxe viticultura biodinâmica para seus 14 hectares de vinhas. Atualmente utilizam-se diferentes preparações animais ou vegetais, tais como o estrume de vaca enterrado ou a preparação à base de sílica para promover a atividade microbiana, crescimento de raízes profundas ou fotossíntese. Afim de aumentar suas defesas naturais, as videiras são tratadas com ervas como urtiga e samambaia. Os solos são regularmente mantidos em dois terços da parcela: arado, butting, raspagem, aparar, cortar. Nenhum herbicida, adubo químico ou inseticida é usado. Profundamente apaixonado pela vinha, pelo solo e pelo terroir, ele traça seu caminho e continua a evoluir seu ofício para uma dimensão cultural e artística. O domínio agora conta com 14,4 hectares espalhados por 5 aldeias do Baixo Reno: Epfig (63%), Nothalten (30%), Itterswiller (2%), Ribeauvillé (4%) e Albé (1%). A propriedade está espalhada por “mais de 80 pequenas vinhas ligadas entre si pelo mesmo espírito”, como André gosta de enfatizar.

Para a produção deste excelente Riesling, as uvas são colhidas manualmente, na sua maturidade, após uma primeira classificação das uvas. Nesta safra de 2014, a maturidade das uvas demorou mais pra chegar devido ao verão pouco ensolarado e com pouca umidade. Na adega a vinificação é natural e utiliza-se uma abordagem não intervencionista. As pressões pneumáticas são longas e realizadas suavemente durante 8 a 12 horas. A fermentação é bastante longa, ocorre com leveduras nativas em barris de carvalho provenientes exclusivamente das montanhas Voges.

David Duband Chambolle-Musigny 2013

Produtor: David Duband

Safra 2013
País França
Região Borgonha
Sub-Região/Apelação Chambolle-Musigny
Volume 750ml
Uvas Pinot Noir
Temp. de Serviço 15º – 17º
Álcool 13%

A denominação Chambolle Musigny é conhecida como a que produz os mais elegantes Bourgogne tintos da Côte de Nuit. Me recordo de quando comecei a estudar vinhos e poucos livros haviam no Brasil. Tinha o hábito de me deliciar lendo o dicionário Larousse de vinhos, que havia adquirido na França. Nele, no verbete Chambolle Musigny, havia a expressão “dentelle” (renda), um vinho todo rendado. David Duband, que acompanho desde que praticamente começou, é um dos grandes expoentes da geração atual, elaborando vinhos macios, extremamente delicados e fáceis de agradar, até mesmo na sua juventude. Vinhos “gouleyant”, ou seja, que descem fácil, ainda que bem estruturados. Modernos que olham carinhosamente para o passado.

Borgonha é uma região localizada a 260km a Sudoeste de Paris. Sua maior e principal cidade é Dijon. Outra cidade muito importante é Beaune, localizada no coração da região. Borgonha tem sua história difundida junto da história dos vinhos na França, os monges cistercianos foram os responsáveis por demarcarem a região, trabalho que durou séculos. As propriedades da região são geralmente muito pequenas e os vinhos são produzidos em pequenas quantidades, sendo a região mais cara na média de preços de vinhos em toda a França. Chambolle-Musigny é uma pequena comuna em Cote-d’Or e possuía, no ano de 2010, aproximadamente 313 habitantes.
A uva principal para vinhos tintos em Borgonha é a Pinot Noir, sendo usada quase sempre como varietal, sem mistura de outras uvas. É a uva mais delicada da França, com casca muito fina, resultando em vinhos mais elegantes com menos taninos.

O Domínio Duband foi fundado em 1965 por Pierre Duband. No início, as uvas cultivadas nos 15 hectares de vinhedos, eram todas vendidas para as cooperativas locais de Beaune, sendo o primeiro vinho feito localmente somente no ano de 1991. No Ano de 1995, com a aposentadoria de Pierre, seu filho, David Duband assume o controle do domínio. No mesmo ano seu pai lhe apresentou François Feuillet, um amante de Borgonha que procurava um enólogo para seu recém comprado lote de 1,2 acres de Aux Thorey, um Premier Cru em Nuits -St-Georges. Feuillet decidiu apostar em Duband, no seguinte arranjo. David cuidaria das vinhas e faria os vinhos, e lhe daria a metade dos vinhos produzidos. Com o passar do tempo e satisfeito com os resultado de Duband, Feuillet comprou vinhedos premiados em mais terrários da Borgonha, como Echézeaux e Vosne-Romanée, passando-os a Duband para trabalhar. Em 2006, o domínio de Duband cresceu exponencialmente quando Feuillet comprou as explorações de 17 hectares do vinicultor aposentado Jacky Truchot, que possuía pacotes em Chambolle-Musigny, Charmes-Chambertin e o histórico Clos de la Roche.
Hoje, seus termos de negócios permanecem os mesmos: Duband comercializa sua metade dos vinhos que ele faz das vinhas de Feuillet sob seu próprio rótulo e Feuillet vende a outra metade dos mesmos vinhos. Durante esse tempo, a abordagem de Duband para a vinificação cresceu a passos largos. No começo, seu mentor era Robert Jayer de Jayer-Gilles, um célebre produtor de vinhos que também recebeu os Hautes-Côtes. Entre outras coisas, Jayer ensinou-lhe os conceitos básicos de fermentação com leveduras indígenas, o uso de novos barris de carvalho para o envelhecimento e como evitar a filtragem.

As uvas são colhidas manualmente, classificadas e, posteriormente, vinificadas com 80% dos cachos inteiros. A fermentação ocorre por 17 dias. Após a prensa, o vinho é deixado para clarificar por 2 semanas antes de ser colocado em barricas, sendo 40% delas carvalho novo e o restante com 1, 2 e 3 anos). Após 14 meses de barril, o vinho é colocado em um tanque onde repousa por mais 3 meses antes de ser engarrafado. Não há filtragem.

Domaine Combier Clos Des Grives 2014

Produtor: Domaine Combier

Safra 2014
País França
Região Rhone
Sub-Região/Apelação Crozes-Hermitage
Volume 750ml
Uvas Syrah
Temp. de Serviço 16º – 18º
Álcool 13,5%

Aqui estamos no berço esplêndido da Syrah, com toda a sua complexidade, completude e longevidade.
Combier é mais um maestro da sua área, aqui trazido especialmente para nosso Clube de vinhos, já que, não é tão fácil encontrá-lo, mesmo na França, por ter caído nas graças dos enófilos.
Esse Clos des Grives é o exemplo do prazer que este produtor pode oferecer: encorpado, perfumado, com o toque certo da madeira de carvalho que colore ainda mais seus sabores. Já delicioso agora, mas podendo ser ainda mais arredondado e complexo com mais alguns aninhos. Em garrafa.

Rhone é uma região localizada a 560 km ao Sudeste de Paris. A cidade mais importante próxima é Marselha, localizada 100km ao sul já na costa da França. A região do Rhone é dividida em norte e sul, cada parte com características bem distintas. A apelação de de Crozes-Hermitage está localizada na região norte e considerada a maior delas e foi oficialmente definida no ano de 1937, sendo expandida em 1952. Esta região possui clima continental, diferentemente do clima mediterrâneo encontrado no sul, caracteriza-se principalmente pelo inverno chuvoso e pelos fortes ventos que perduram até a primavera. O solo é composto principalmente de rocha, areia e argila. A principal uva produzida e, única uva permitida o cultivo para fabricação de vinhos tintos pela apelação, é a Syrah.

O Domaine Combier está situado no planalto de La Roche de Glun e suas vinhas localizadas ao pé da colina do Hermitage. A História do domaine data de 1936, ano em que Camile, avô do atual responsável pela propriedade, Laurent Combier, comprou 7 hectares de terra em La Roche de Glun, sendo inicialmente, cultivadas uvas e damascos. Nos anos 60 os pais de Laurent se estabeleceram no distrito vizinho de Point de L´lsère, tendo como principal atividade negociar vinhos. Em 1970, período de grande dificuldade econômica para este setor, resolveram investir fortemente no cultivo de uvas. Fizeram parte da cooperativa de Train l’Hermitage, para qual vendiam praticamente todas uvas da propriedade, até o ano de 1989. O primeiro vinho da propriedade foi produzido somente no ano de 1990 por Laurent, que nesta época já era formado em viticultura e enologia. No ano de 2010 o Domaine Combier comemorou o quadragésimo aniversário de cultivo orgânico de vinhas nos atuais 25 hectares da propriedade.

O Clos des Grives é o principal vinho do Domaine Combier. As uvas, cem por cento Syrah, são colhidas manualmente e, posteriormente, selecionadas quais irão para a produção do vinho. Após o desengaço total, a vinificação ocorre por 25 dias em tanques de aço com a temperatura controlada. A fermentação malolática ocorre em barricas, por 12 meses, sendo utilizadas somente barricas de carvalho novo. Cada barrica é testada mensalmente para avaliar a evolução dos vinhos.

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